25 de Março de 2020, 19:53
  -  Entretenimento - Brasil
Seu casamento vai sobreviver ao surto do novo coronavírus?

Mesmo para aqueles de nós com os casamentos mais felizes e estáveis, o distanciamento social para combater a disseminação do novo coronavírus oferece sérios desafios aos nossos relacionamentos amorosos.

 

Estamos confinados a pequenos espaços com nossos parceiros ou parceiras, com pouco ou nenhum intervalo. Temos que equilibrar a vida profissional e pessoal, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Adicione crianças pequenas (ou até adolescentes) na mistura e está pronta a receita de um possível desastre – ou, pior ainda, do divórcio.

 

O canal conversou com vários terapeutas de casais e de família, psicólogos clínicos e pessoas casadas sobre como garantir que sua união não seja uma vítima da pandemia de COVID-19.

 

Comunicar, comunicar, comunicar

 

O segredo para qualquer relacionamento saudável é a comunicação. Isso é verdade em circunstâncias normais e nos tempos da pandemia.

 

Para alguns, isso pode significar conversas periódicas para atualizar o que precisa ser feito no dia a dia. Para outros, pode ser uma conversa diária que classifique como cada parceiro se sente externa e internamente.

 

Michele Weiner-Davis, terapeuta de casais e famílias na cidade norte-americana de Boulder, no Colorado, disse que não importa tanto como os casais se comunicam durante a quarentena do coronavírus, mas sim a tentativa de estabelecer essa comunicação.

 

“Os maiores desafios que enfrentei até agora são os casos em que os dois estão olhando o que está acontecendo com lentes diferentes: uma pessoa pensa que o mundo está acabando e a outra acha que as pessoas estão exagerando", disse Weiner-Davis, que também oferece um concorrido sistema de terapia por teleconferência.

 

“Quando as pessoas têm perspectivas diferentes, elas têm ideias diferentes do que precisa ser feito, e a única maneira de contornar isso pela comunicação."

 

Aproveite seu espaço

 

A maioria dos casais passa a maior parte do dia separados, pois pelo menos um dos parceiros sai de casa para ir ao trabalho. Agora, no entanto, devido ao pedido das empresas para que os funcionários trabalhem de forma remota e obedeçam às ordens do governo, os dois parceiros precisam passar quase todo o tempo sob o mesmo teto.

 

Especialmente para casais que moram em casas menores, esse cenário pode sugerir que nenhum dos dois terá muito (ou nenhum) espaço pessoal.

 

Por esse motivo, muitos especialistas sugerem reconhecer a importância do tempo sozinho. Alev Ates-Barlas, uma terapeuta do estado de Nova York, disse que tenta ensinar os casais a identificar se são indivíduos que precisam de um parceiro para regular suas próprias emoções, ou são daqueles que encontram conforto lidando sozinhos com suas emoções.

 

“É importante que os casais saibam onde você se enquadra nessas duas categorias, para que você não pense que sua necessidade de regulação emocional é igual à necessidade do seu parceiro", explica a terapeuta.

 

“Se você sabe que seu parceiro é um autorregulador, não deve persegui-lo ou pedir seu envolvimento", continua Ates-Barlas. “Depois de se regular, ou seja, aprender a lidar com seus sentimentos, o envolvimento na escuta reflexiva pode ser uma boa maneira de eliminar as causas do atrito e pode ser usado como uma oportunidade para uma maior compreensão e aprendizado um do outro."

 

Em outras palavras, Ates-Barlas disse que a melhor maneira de passar por uma situação tensa com seu parceiro durante as próximas semanas pode ser usar fones de ouvido e meditar, ou sentar-se quieto em um canto. Segundo ela, às vezes "tudo o que você precisa é de um local silencioso em sua casa por cinco minutos".

 

Mantenha a leveza

 

Nos dias que se seguiram ao pedido do governo dos Estados Unidos de fazer distanciamento social, o escritor e editor Molly Tolsky escreveu um tuíte sugerindo que os parceiros subitamente forçados a trabalhar em casa juntos devem criar um colega de trabalho imaginário para culpar as divergências.

 

“Dica profissional para casais que de repente estão trabalhando em casa”, escreveu Tolsky. “Arranje um colega de trabalho imaginário para por a culpa. Em nosso apartamento, Cheryl fica deixando seus copos de água suja por todo o lado e realmente não sabemos o que fazer com ela.”

 

Alexandra Fondren, uma profissional de relações públicas no norte da Califórnia, levou o conselho a sério: depois de ler o tuíte ela e o marido começaram a culpar "Cheryl" por todas as coisas que um deles fazia para irritar o outro.

 

“Nunca tinha percebido que a Cheryl era tão chocólatra", escreveu Fondren em um e-mail recente. “Ouvi dizer que esse é um vício fácil de esconder, mas as embalagens vazias espalhadas por todo o 'escritório' são reveladoras, principalmente porque nenhum de seus conteúdos sequer foi oferecido aos colegas de trabalho", afirmou.

 

Outros parceiros sentiram alívio compartilhando por videoconferência histórias relacionadas ao trabalho que deram errado. Alguns até adotaram o #CovidConfessions, um fenômeno da mídia social realizado nas noites de sexta-feira, através do qual as pessoas contam verdades sobre suas vidas que mantiveram em segredo até a pandemia.

 

Estabeleça rotinas

 

Ninguém está familiarizado com o "novo normal" do distanciamento social ainda, e com as notícias sobre a pandemia mudando rapidamente, todos os dias trazem uma nova realidade.

 

Em meio a esse tumulto constante, Lee Miller, terapeuta de casais e famílias no oeste de Los Angeles, disse que é prudente criar rotinas para dar sentido e propósito à vida além do cotidiano. Especificamente, Miller disse para atribuir papéis para cada dia: quem cozinha, quem limpa, quem atende o telefone e assim por diante.

 

“O que estamos vivendo está longe de ser uma situação típica, o que significa que há vários papéis diferentes que os dois parceiros terão que desempenhar enquanto trabalham na realidade atual", explica. “É extremamente importante agendar um horário para sentar e conversar sobre quais são suas expectativas durante esse período."

 

Na cidade de Nova York, Carrie Ingoglia e seu marido Ron Richards criaram uma estratégia campeã para equilibrar o trabalho em casa em um apartamento de 53 metros quadrados e a criação de gêmeos de 15 meses.

 

O marido tenta agendar as ligações de trabalho para o horário provável de cochilo dos bebês. A mulher leva as crianças para passear quando Richards precisa se concentrar. Ambos param de trabalhar completamente durante as refeições dos bebês. Os adultos também se esforçam para encorajar-se mutuamente com frequência.

 

Faça terapia

Hoje é possível se consultar com terapeutas por meio da internet

Todos esses conselhos são um bom começo. Mas, para uma assistência mais abrangente ao lidar com situações difíceis e potencialmente sensíveis, é sempre uma boa ideia buscar um terapeuta profissional.

 

Holly Daniels, diretora administrativa de assuntos clínicos da Associação de Terapeutas para Casais e Famílias da Califórnia, disse que a terapia regular pode ajudar as pessoas a lidar até com a mais intensa ansiedade.

 

“Ter alguém com quem conversar, que possa ajudá-lo a resolver alguns desses problemas difíceis, não tem preço", disse Daniels, terapeuta com consultório particular em Los Angeles. “Agora, mais do que nunca, os terapeutas estão se tornando indispensáveis para fornecer às pessoas as ferramentas necessárias para superar qualquer situação", afirmou.

 

Felizmente, hoje é mais fácil do que nunca se conectar a um terapeuta nos Estados Unidos. Em 17 de março, o Escritório de Direitos Civis do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que aplica a Lei de Portabilidade e Responsabilidade do Seguro de Saúde (HIPAA), disse que não aplicará multas ou sanções aos prestadores de serviços que não cumpram as regras relacionadas ao atendimento remoto durante esse período.

 

Isso significa que um profissional que precise fornecer serviços de telemedicina a seus pacientes durante esse período poderá usar plataformas que, de outra forma, não seriam compatíveis com essas regras, como Zoom, FaceTime ou Skype. Muitos governos estaduais fizeram decretos semelhantes.

 

Não pressione por sexo

 

Não, fazer sexo com seu parceiro não aumentará suas chances de contrair coronavírus.

 

Ainda assim, de acordo com Britney Blair, psicóloga clínica e terapeuta sexual no norte da Califórnia, o desejo sexual na época do coronavírus pode ficar aquém do normal, já que o estresse dificulta a libido para cerca de 85% das pessoas.

 

“É normal estar menos interessado [em sexo] durante tempos de crise", analisa. “Se você é uma das 15% das pessoas que não são afetadas pelo estresse, entenda que seu parceiro pode estar do outro lado."

 

Blair, que recentemente fundou com outros profissionais o aplicativo de dicas de sexo Lover, se referiu a esse fenômeno como uma "discrepância de desejo" e disse que ele ocorre naturalmente em todos os casais, mas pode ser ampliado em momentos como esse. Ela acrescentou que a única maneira de contornar esse obstáculo é criar um ambiente seguro e reconfortante, sem amarras.

 

Especificamente, Blair observou que insistir ou brigar com seu parceiro pela falta de desejo deixará ambas as partes se sentindo mal.

 

“Ao fazer isso do jeito errado, o parceiro com mais desejo acaba se sentindo rejeitado, enquanto o parceiro com menos desejo se sente culpado", explica ela. “A última coisa que qualquer um de nós precisa agora é mais estresse."

 

Concentre-se nas pequenas coisas

 

É fácil ficar sobrecarregado com o medo existencial diante dessa pandemia, que muda o cenário diariamente.

 

Esse estado de pânico complica ainda mais o seu relacionamento com seu parceiro. Em vez de permitir-se ser atingido pela ansiedade, respire fundo e concentre-se nas pequenas coisas – especialmente aquelas que você pode apreciar com seu parceiro ou parceira.

 

Rob Bhatt, escritor de Seattle, diz que ele e sua mulher, conselheira em saúde mental, fizeram exatamente isso, aproveitando o tempo extra que passam juntos. Os dois vivem numa região que emitiu ordens de isolamento no início de março.

 

“Costumávamos jantar fora direto; mas, uma vez que isso começou, aprendi a fazer pizza do zero", revelou Bhatt. “Antes, ficávamos vendo as notícias durante o jantar, mas agora desligamos a TV e conversamos", disse.

 

O escritor continua: “Na maioria das vezes, temos esses momentos de gratidão por algumas coisas muito básicas que fazemos juntos, e esperamos que todos possamos superar essa coisa horrível mais cedo ou mais tarde".

 

A terapeuta Daniels acrescentou que, às vezes, até os gestos mais simples podem dar o tom. “Simplesmente reservar um tempo para parar, olhar para o seu parceiro e dizer 'obrigado' pode fazer uma enorme diferença", disse ela.

 

Se você estiver inseguro

 

Obviamente, há outro aspecto em ficar preso em casa com um cônjuge, e isso pode ser muito sério dependendo da situação.

 

Se você foi vítima de violência doméstica, nenhum bloqueio ou quarentena é mais importante que sua saúde.

 

A polícia e outros serviços de emergência funcionam normalmente e, se você estiver preocupado com a segurança pessoal, ligue para as autoridades imediatamente.

 

*Matt Villano é um escritor e editor freelancer que vive no norte da Califórnia. Ele está isolado em sua casa de 160 metros quadrados com a mulher, três filhas e dois gato

 

“Isso não quer dizer que não brigamos, porque acontece", conta Ingoglia, diretora criativa. “Mas nos conhecemos bem o suficiente para saber que um momento de discussão não é um reflexo do nosso compromisso", explica.

Fonte:CNNBrasil

 

 

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